O Carnaval 2026 está a assinalar um ponto de viragem na forma como as escolas de samba concebem e produzem os seus desfiles.
A impressão 3D deixou de ser uma experiência pontual para se afirmar como ferramenta integrada nos processos de produção carnavalesca, trazendo ganhos significativos em tempo, precisão técnica e sustentabilidade.
Um dos exemplos mais emblemáticos é o da Beija-Flor de Nilópolis, que integrou impressoras 3D de grande formato no seu barracão, na Cidade do Samba. A tecnologia está a ser utilizada na produção de elementos cenográficos, esculturas decorativas e componentes de fantasias, desenvolvidos a partir de modelos digitais criados internamente pelas equipas técnica e artística da escola.
De acordo com informação divulgada durante a preparação do desfile, cerca de 10% das peças visuais que irão à avenida já recorrem à impressão 3D, sobretudo em elementos de elevada complexidade formal ou que exigem repetição rigorosa. O processo utilizado é maioritariamente FDM (Modelação por Deposição de Filamento), recorrendo a plásticos técnicos leves e recicláveis, como o ABS, adequados às exigências de resistência, leveza e montagem associadas ao Carnaval.
Para além da eficiência produtiva, a tecnologia permite uma redução significativa do desperdício de materiais e uma optimização de custos, quando comparada com métodos tradicionais de escultura manual em esferovite ou madeira. Ainda assim, a impressão 3D não substitui o trabalho artesanal: o acabamento final continua a ser realizado manualmente, assegurando a identidade estética e artística que caracteriza o espectáculo carnavalesco.
A crescente adopção da impressão 3D reflecte também uma mudança estrutural no sector. As oficinas técnicas e iniciativas formativas ligadas ao Carnaval começam a integrar fabricação digital, modelação tridimensional e prototipagem rápida, aproximando o universo da folia das práticas da indústria criativa, do design e da engenharia.