Rafael Pinto venceu o “Upcell Young Scientist Award 2026” pelo desenvolvimento de uma bateria de lítio sustentável, de estado sólido e impressa em 3D, concebida para oferecer maior desempenho, eficiência e flexibilidade de aplicação.

Segundo a Universidade do Minho, o prémio europeu distingue jovens investigadores com “contributos inovadores e forte potencial industrial no setor da energia” e foi entregue durante o congresso anual da Upcell Alliance, realizado em Lisboa.

“É uma sensação muito boa ser reconhecido por esta associação, que reúne instituições e peritos de renome nas baterias e que vê o impacto da minha investigação na cadeia de produção, particularmente em certos nichos”, afirma Rafael Pinto, citado pela universidade.

A distinção, no valor de mil euros, resulta de quatro anos de investigação desenvolvida no âmbito da tese de doutoramento “Two and Three-Dimensional Sustainable Solid-State Printed Batteries for Portable Electronic Devices”.

O trabalho decorre nos laboratórios do Centro de Física e do Centro de Química da Escola de Ciências da UMinho, em Braga, com financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. A investigação é orientada pelos professores Carlos M. Costa, Senentxu Lanceros-Méndez e Renato Gonçalves.

Natural de Braga e com 30 anos, Rafael Pinto realizou toda a formação académica na Universidade do Minho, onde concluiu a licenciatura em Ciências do Ambiente, o mestrado em Ciências e Tecnologias do Ambiente, na área de Energia, e está agora a finalizar o doutoramento em Engenharia de Materiais.

A investigação centra-se no desenvolvimento de baterias de lítio sustentáveis e de estado sólido, produzidas através de técnicas de impressão “direct ink writing”. O objetivo passa pela otimização dos materiais do cátodo, ânodo e separador, permitindo criar dispositivos mais eficientes e adaptáveis.

Segundo a UMinho, esta abordagem possibilita “imprimir o separador sólido diretamente sobre o cátodo”, melhorando o desempenho do dispositivo, além de permitir a criação de arquiteturas personalizadas através de desenho 3D.

“A tecnologia melhora a interface entre os componentes, facilita o movimento de iões, cria baterias com diferentes formatos e recorre a materiais mais sustentáveis, apontando aplicações em nichos como a microeletrónica, onde a adaptação ao formato é crítica”, explica o investigador.

A sustentabilidade assume um papel central no projeto. A técnica desenvolvida reduz praticamente a zero o desperdício de materiais e diminui significativamente o uso de eletrólitos líquidos, considerados tóxicos e inflamáveis, contribuindo para baterias mais seguras e ambientalmente responsáveis. As aplicações previstas incluem dispositivos médicos, eletrónica portátil e wearables.

Os próximos passos da investigação passam pela otimização do desempenho das baterias, pela escalabilidade do processo de fabrico e pela futura entrada no mercado.

Criada em 2022 e sediada em Paris, a Upcell Alliance reúne atualmente mais de 120 empresas, universidades e centros de investigação ligados à cadeia de valor das baterias. A associação pretende reforçar a autonomia industrial europeia neste setor estratégico, num mercado onde se prevê a instalação de cerca de 100 gigafábricas de baterias e investimentos superiores a 150 mil milhões de euros.