A impressão 3D vai passar a fazer parte das atividades educativas de 25 escolas hospitalares no Reino Unido, num projeto que pretende ajudar crianças e jovens afastados do ensino regular por motivos de saúde a desenvolver competências técnicas e cognitivas.
A iniciativa, liderada pela Universidade de Nottingham, terá uma duração de três anos e conta com o apoio da Royal Society e do Julia Rausing Trust.
O projeto reúne várias universidades britânicas e a National Association for Hospital Education (NAHE), abrangendo escolas hospitalares, unidades de ensino para alunos com necessidades médicas específicas e serviços de internamento de saúde mental infantojuvenil.
Cada escola receberá uma impressora 3D e os professores terão formação para integrar o design e a fabricação aditiva nas atividades letivas.
A ideia é partir de problemas concretos do quotidiano dos alunos. As crianças poderão, por exemplo, criar objetos que facilitem determinadas tarefas ou desenvolver peças personalizadas para os espaços onde estão internadas. Ao longo de um período letivo, serão acompanhadas desde a identificação de uma necessidade até à conceção e impressão da solução, passando pelo desenho e pela utilização de ferramentas digitais.
«Este programa oferece às crianças que, por diferentes razões médicas, não frequentam o ensino convencional a oportunidade de desenvolver conhecimentos e competências importantes na área da engenharia. Além da aprendizagem técnica, contribui para desenvolver o raciocínio crítico, uma capacidade que será útil ao longo da vida», explicou Robert Dorey, professor de Nanomateriais na Universidade de Surrey, uma das instituições envolvidas.
O projeto poderá também ter aplicações na reabilitação de crianças que sofreram lesões cerebrais. É o caso dos alunos do Surrey Teaching Centre, em Tadworth Court, que acompanha crianças e jovens internados no The Children's Trust. Atividades como planear um objeto, organizar as diferentes etapas de produção e resolver problemas durante o processo poderão ajudar a trabalhar capacidades como a memória, a atenção e o raciocínio.
«Além das competências individuais que irão desenvolver, existem benefícios adicionais associados ao trabalho conjunto, dentro das escolas e entre elas, criando um sentimento de comunidade e de realização partilhada», afirmou Stephen Deadman, da National Association for Hospital Education.
Financiado no âmbito do programa Science Community Grant, da Royal Society, o projeto inclui ainda ações de formação para professores e encontros entre escolas, universidades e profissionais das áreas científicas e tecnológicas.