A conferência Shaping the Future with Books 2026, organizada pela Intergraf, reuniu no dia 19 de fevereiro, em Bruxelas, mais de 100 líderes da cadeia de valor do livro, desde editores e gráficas a decisores políticos, académicos e influenciadores de 22 países.
O encontro analisou as principais tendências que estão a moldar o futuro do setor, com foco em sustentabilidade, comportamento de leitura, impacto digital e cooperação na cadeia de abastecimento.
A presidente da Federação Europeia de Editores, Sonia Draga, abriu o debate sublinhando a interdependência entre edição e impressão na Europa, destacando que ambos os setores são pilares da cultura europeia e exigem cooperação contínua.
A sustentabilidade esteve no centro da intervenção de Gina Lyons, da Clays, que apresentou estratégias práticas para integrar metas científicas de redução de emissões, envolver fornecedores e transformar compromissos ambientais em ações mensuráveis ao longo da cadeia de valor.
A influência das redes sociais na leitura foi analisada por Jasmine Darban, influenciadora e cofundadora de uma editora, que destacou o papel do BookTok na descoberta de livros e na renovação do interesse dos leitores mais jovens.
A investigadora Marte Pupe Støyva, da Universidade de Stavanger, apresentou estudos sobre leitura académica e o impacto do suporte físico na atenção e na aprendizagem, reforçados pela intervenção de Andrea Cangini, do Osservatorio Carta, Penna & Digitale, que sublinhou a importância da interação física na experiência cognitiva da leitura e da escrita.
O panorama de mercado foi apresentado por Adam Page, da Smithers, que revelou que a impressão de livros na Europa deverá atingir 7,8 mil milhões de euros em 2025, com o digital a crescer 7,3% até 2030 e a impressão analógica a recuar 5% no mesmo período.
Do lado das políticas públicas, Normunds Popens, da Comissão Europeia (DG EAC), reforçou que a literacia e o contacto com livros são fundamentais para o pensamento crítico, destacando programas europeus de apoio à cultura e à leitura.
A inovação tecnológica também marcou presença, com Hermann Eckel a apresentar o software BOOXITE, que melhora a comunicação de dados ao longo da produção do livro, e Jonathan Huddart, da CPI, a defender as vantagens da impressão descentralizada para reduzir custos logísticos. Tobias Kaase, da mediaprint solutions, explicou como o Digital Product Passport for Books pode aumentar a transparência e eficiência na cadeia de valor.
Cooperação na cadeia de valor em destaque
Um dos momentos centrais foi o painel dedicado à resiliência da cadeia de abastecimento. Peter Kraus vom Cleff, do Börsenverein, defendeu uma colaboração mais profunda entre editores, gráficas e produtores de papel. Matt Baehr, do Book Manufacturer’s Institute, destacou a importância da cooperação estratégica e desvalorizou o impacto da autopublicação como ameaça ao mercado.
Oliver Kranert, da Druckerei C.H.Beck, alertou para o impacto potencial da inteligência artificial no setor editorial, enquanto Antti Makkonen, da Sappi Europe, reforçou a necessidade de transparência e colaboração para enfrentar pressões de mercado e construir modelos sustentáveis.
O papel estratégico do livro na Europa
Ao longo do dia, os intervenientes convergiram numa mensagem comum: os livros impressos continuam a desempenhar um papel essencial na educação, na cultura e nos hábitos de leitura, exigindo uma cadeia de valor europeia resiliente, inovadora e sustentável.
Os participantes receberão ainda um European Book Market Report exclusivo, preparado pela Smithers e pela Intergraf, com dados de mercado e tendências que complementam as conclusões do encontro.
A conferência terminou com uma sessão de networking, reforçando ligações entre os vários segmentos da indústria. A Intergraf reafirmou o compromisso de promover diálogo e cooperação para apoiar a evolução do setor nos próximos anos.