As insolvências empresariais aumentaram 5,1% em Portugal nos primeiros oito meses de 2026, mas o agravamento foi bastante mais acentuado na Hotelaria e Restauração.

Neste setor, o número de insolvências declaradas cresceu 36,2% face ao mesmo período do ano passado, a subida mais elevada entre as atividades analisadas pela Iberinform e pela Crédito y Caución.

Até ao final de agosto foram registadas mais 55 empresas insolventes do que no período homólogo de 2025. As insolvências requeridas por terceiros aumentaram 7,1%, enquanto os processos apresentados pelas próprias empresas cresceram 3,1%.

Só em agosto foram declaradas 96 insolvências, mais uma do que no mesmo mês de 2025, o que corresponde a uma variação de 1,1%. No acumulado do ano, contabilizaram-se 619 processos apresentados pelas próprias empresas, enquanto as insolvências requeridas por terceiros aumentaram em 36 processos.

Lisboa continua a registar o maior número de insolvências declaradas, com 271 casos, seguida do Porto, com 242, e de Braga, com 154. Entre os distritos com maior crescimento encontram-se Aveiro, com uma subida de 8,1%, Setúbal (+6,4%), Faro (+4%) e Leiria (+3,5%).

A evolução setorial coloca a Hotelaria e Restauração claramente acima da média nacional. Depois deste setor surgem Outros Serviços, com um aumento de 15% das insolvências declaradas, e Construção e Obras Públicas, com mais 13%.

Em paralelo, a criação de novas empresas continua abaixo dos valores do ano anterior. Em agosto foram constituídas 3.151 empresas, menos 303 do que no mesmo mês de 2025, uma quebra homóloga de 8,8%.

No acumulado do ano, Lisboa lidera a constituição de empresas, com 11.127 novos registos, seguida do Porto, com 6.447, e de Setúbal, com 2.904.

Angra do Heroísmo destaca-se pela evolução positiva, apresentando um crescimento de 27% no número de novas empresas constituídas. Vila Real (+5,8%), Santarém (+6,1%) e Coimbra (+4,7%) também registaram aumentos. Em sentido contrário, a Madeira apresenta uma quebra de 21%, seguida de Ponta Delgada (-18%), Évora (-16%) e Faro (-8,8%).

Por setores, a Indústria Extrativa (+20%) e a Construção e Obras Públicas (+13%) registaram os maiores crescimentos na criação de empresas. As quebras mais acentuadas ocorreram na Eletricidade, Gás e Água (-28%), Agricultura, Caça e Pesca (-26%) e Telecomunicações (-23%).