A indústria francesa de papel e pasta de celulose entrou em 2026 sob pressão crescente: desde 1 de janeiro de 2024, sete das 81 fábricas de papel do país encerraram definitivamente, segundo a COPACEL, associação francesa do setor.
A entidade afirma que os fechos ameaçam emprego, capacidade industrial regional e soberania produtiva, num país já importador líquido de pasta, papel e cartão.
O alerta foi feito na conferência anual da COPACEL, em 9 de abril. Além das fábricas encerradas, duas empresas de papel para embalagem estão em recuperação judicial e um grupo que opera duas grandes unidades de pasta de celulose está em conciliação. A associação aponta ainda fragilidades noutras empresas, pressionadas por queda de preços, baixa utilização de equipamentos e custos de produção elevados.
A crise não se explica apenas pela retração dos papéis gráficos, como jornais e revistas. A própria COPACEL defende que a procura por embalagens de papel e cartão continua estruturalmente relevante, sobretudo pela substituição de plásticos e pelas taxas de reciclagem, que o setor estima em 87%. O problema central, segundo a entidade, é a competitividade: energia, fiscalidade, burocracia e concorrência internacional.
O caso da Papeterie de Condat, na Dordogne, tornou-se emblemático. A unidade foi retomada pelo grupo SPB, mas a produção de papel deverá ser abandonada e apenas 21 dos 202 postos de trabalho remanescentes serão preservados no plano aprovado pelo tribunal comercial de Bordéus.
O quadro francês insere-se numa pressão mais ampla sobre a indústria europeia. A CEPI estima que a produção europeia de papel e cartão tenha caído 1,5% em 2025, após o ressalto de 2024, num ambiente marcado por custos elevados, procura fraca e tensões comerciais.
A COPACEL pede medidas urgentes: maior proteção comercial europeia, redução de impostos de produção, valorização da eletricidade nuclear francesa no pós-ARENH, simplificação regulatória e adaptação das exigências ambientais à capacidade de investimento das empresas.