A utilização de inteligência artificial generativa tornou-se uma ferramenta central para a economia dos criadores de conteúdos digitais.
De acordo com o relatório Creators’ Toolkit Report 2026, divulgado pela Adobe, 87% dos criadores que utilizam ferramentas de IA consideram que estas contribuíram para acelerar o crescimento do seu negócio ou da sua audiência.
O estudo baseia-se num inquérito realizado a mais de 16 mil criadores de conteúdos nos Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Coreia do Sul, Japão, Índia e Austrália, analisando a forma como a inteligência artificial está a transformar os processos criativos, a produção de conteúdos e os modelos de negócio.
Os resultados mostram que 75% dos inquiridos afirmam que a IA criativa já está integrada ou é essencial no seu fluxo de trabalho diário. Além disso, 63% consideram que estas ferramentas contribuíram para aumentar a sua confiança enquanto criadores ou profissionais criativos.
IA acelera produção, mas não substitui decisão humana
O relatório mostra que a principal vantagem identificada pelos criadores é o ganho de produtividade. Cerca de 93% dos participantes afirmam que a IA os ajuda a produzir conteúdos mais rapidamente.
No entanto, a maioria refere que os conteúdos gerados continuam a necessitar de intervenção humana antes da publicação. Cerca de 57% dos criadores indicam que os resultados produzidos por IA exigem edições moderadas ou extensivas para estarem prontos para divulgação.
A importância da supervisão humana é igualmente evidente noutras conclusões do estudo. Cerca de 81% dos inquiridos consideram que o julgamento humano continua a ser essencial para definir qualidade, gosto e direção criativa.
Voz própria continua a ser fator diferenciador
Num contexto em que a produção de conteúdos se torna mais acessível, os criadores identificam a diferenciação criativa como um dos principais desafios.
Entre os participantes que consideram mais difícil destacar-se atualmente do que há um ano, 53% apontam o aumento do volume de conteúdos publicados como principal motivo, enquanto 42% referem a crescente utilização de conteúdos gerados por inteligência artificial.
Apesar disso, 85% dos criadores afirmam que os trabalhos produzidos com apoio de IA continuam a refletir a sua voz e identidade criativa.
O estudo conclui que, à medida que a tecnologia se generaliza, fatores como a perspetiva pessoal, a capacidade de seleção e o sentido crítico tornam-se elementos cada vez mais valorizados na diferenciação dos criadores.
Criadores mostram interesse em agentes de IA
A próxima fase da evolução tecnológica passa pelos chamados agentes de IA, sistemas capazes de executar tarefas complexas e de múltiplas etapas de forma autónoma.
Apesar do interesse demonstrado por estas soluções, 85% dos criadores defendem que a decisão criativa final deve permanecer sempre sob controlo humano.
Os participantes indicam ainda que a possibilidade de rever, editar ou anular decisões tomadas pelos agentes de IA é o principal requisito para aumentar a confiança nestas ferramentas.
Transparência e direitos de autor ganham relevância
O estudo revela também uma crescente preocupação com a transparência na utilização de inteligência artificial.
Cerca de 85% dos criadores acreditam que as expectativas do público relativamente à divulgação do uso de IA estão a aumentar ou, pelo menos, a manter-se estáveis. Ainda assim, apenas 49% afirmam divulgar sempre ou frequentemente a utilização destas tecnologias nos seus conteúdos.
A proteção da propriedade intelectual surge igualmente como uma preocupação relevante. Nove em cada dez criadores consideram importante que os conteúdos produzidos com assistência de inteligência artificial possam beneficiar de proteção por direitos de autor.