O Sustainable Print Manifesto apresentou, em Valência, um novo modelo de implementação destinado a ajudar empresas do setor da impressão e do packaging a transformar princípios de sustentabilidade em ações mensuráveis.

O Implementation Framework for More Sustainable Print foi lançado esta quarta-feira, 30 de setembro, durante o FuturePrint Packaging, Labels and DTS Summit, no mesmo evento onde, em abril de 2025, tinha sido apresentado o manifesto original.

Se o primeiro documento procurava estabelecer uma definição comum de impressão mais sustentável, assente em nove princípios, a nova estrutura avança para uma componente mais prática. O objetivo é dar às empresas um conjunto de indicadores, etapas de implementação e critérios que lhes permitam avaliar o ponto em que se encontram e acompanhar a evolução ao longo do tempo.

A proposta dirige-se a fabricantes de equipamentos, fornecedores de tecnologia, gráficas e prestadores de serviços de impressão, mas procura também criar uma linguagem mais facilmente compreensível por marcas e compradores.

Em vez de recomendar tecnologias, materiais ou soluções específicas, o modelo foi concebido para poder ser adaptado a empresas com dimensões, atividades e níveis de maturidade diferentes.

“Com o primeiro Manifesto definimos o que entendemos por uma impressão mais sustentável. A estrutura permite agora que fabricantes, fornecedores de tecnologia, gráficas e PSP demonstrem aos clientes o progresso que estão a fazer através de uma linguagem comum”, explicou Elena Knight, diretora de Marketing e Conteúdos da FuturePrint, entidade facilitadora do Sustainable Print Manifesto. “Mas esta é uma plataforma, não um ponto final. O trabalho continua e estamos a convidar toda a indústria a construí-la connosco”, acrescentou.

Medir antes de comunicar

Um dos princípios do novo modelo é a ideia de progressão por etapas. Em vez de exigir que as empresas cumpram de imediato todos os critérios, a estrutura prevê diferentes níveis de maturidade, começando pela recolha de dados e avançando depois para a gestão de melhorias, otimização de processos e partilha de informação ao longo da cadeia de valor.

A iniciativa surge num momento em que a indústria gráfica e de embalagem enfrenta maior pressão regulatória e exigências crescentes de clientes em matéria de sustentabilidade e rastreabilidade.

O desenvolvimento de instrumentos como o Passaporte Digital de Produto está também a aumentar a necessidade de informação mais estruturada sobre materiais, processos e desempenho ambiental. O Sustainable Print Manifesto procura criar referências comuns que facilitem a comparação e a avaliação do desempenho entre diferentes intervenientes da cadeia.

Outro dos objetivos assumidos passa por reduzir a fragmentação de metodologias e limitar práticas de greenwashing, através de indicadores que permitam sustentar melhor as alegações ambientais apresentadas ao mercado.

O Manifesto e a nova estrutura resultam de um trabalho conjunto entre empresas e organizações ligadas à cadeia de valor da impressão.

Entre os parceiros de desenvolvimento encontram-se a Cimpress, HP, Gallus, Domino, Sun Chemical, Nazdar e a Canon. A iniciativa conta ainda com o apoio de organizações como o BPIF, IPIA, Printing United Alliance, VIGC, Bespoke, Lightning Tree, The Pack Scout e SteveLister.com, além da FuturePrint enquanto entidade facilitadora.

O desenvolvimento do modelo recebeu também contributos de empresas e organizações como a CarbonQuota, CPI, Esko, Flint Group Digital Xeikon, Kavalan, Koenig & Bauer, Ricoh e TradePrint.