A Comissão Europeia mantém preocupações concorrenciais em relação à joint venture de papéis gráficos que a Sappi e a UPM pretendem criar e enviou às duas empresas uma “Letter of Facts” no âmbito da investigação aprofundada à operação.

As empresas estão a preparar uma resposta e admitem apresentar medidas destinadas a responder às objeções levantadas por Bruxelas.

A nova comunicação surge depois de, em agosto, a Comissão Europeia ter enviado às empresas uma Comunicação de Objeções, na qual manifestava a posição preliminar de que a operação poderia restringir a concorrência em determinados segmentos dos papéis gráficos. O processo continua em Fase II e ainda não existe uma decisão final.

A investigação incide particularmente nos mercados do papel couché mecânico, utilizado sobretudo em revistas e outras publicações, e do papel couché sem pasta mecânica, destinado, entre outras aplicações, à impressão de livros e materiais promocionais. A Comissão considera, nesta fase, que a empresa resultante da operação poderá adquirir poder de mercado suficiente para aumentar preços ou reduzir a qualidade oferecida aos clientes.

Bruxelas indicou igualmente não estar ainda convencida de que as poupanças de custos ou eventuais benefícios ambientais e de resiliência da cadeia de abastecimento sejam suficientes para compensar os riscos identificados para a concorrência.

Operação avaliada em 1,42 mil milhões de euros

A operação prevê a criação de uma empresa independente e não cotada, detida em partes iguais pela Sappi e pela UPM. O acordo definitivo foi assinado em maio deste ano, depois de as duas empresas terem anunciado, em dezembro de 2025, uma carta de intenções não vinculativa.

Os ativos a integrar na joint venture estão avaliados, em conjunto, em cerca de 1,42 mil milhões de euros. O negócio de Communication Papers da UPM foi valorizado em 1,1 mil milhões de euros e as operações europeias da Sappi incluídas na transação em 320 milhões de euros. As empresas estimam ainda sinergias anuais próximas dos 100 milhões de euros, através da otimização de ativos e logística, racionalização do portefólio, compras e eficiência operacional.

A Sappi deverá contribuir com as fábricas de Gratkorn, na Áustria, Ehingen, na Alemanha, Maastricht, nos Países Baixos, e Kirkniemi, na Finlândia.

Do lado da UPM, estão previstas as unidades e linhas de produção de Augsburg e Schongau, na Alemanha, as linhas 1 e 4 da fábrica de Nordland, também na Alemanha, Rauma e RaumaCell, Kymi (excluindo a fábrica de pasta) e a linha 6 de Jämsänkoski, na Finlândia, além de Caledonian, no Reino Unido, e Blandin, nos Estados Unidos.

A nova empresa reuniria a atividade europeia de papéis gráficos da Sappi com o negócio UPM Communication Papers na Europa, Reino Unido e Estados Unidos. Até à conclusão da operação, as duas empresas continuam obrigadas a gerir separadamente os respetivos negócios.

Estrutura de gestão já começou a ser preparada

Apesar da análise regulatória ainda em curso, Sappi e UPM avançaram em setembro com a preparação da estrutura de gestão da futura empresa. Gunnar Eberhardt, atualmente responsável pela UPM Communication Papers, foi indicado para CEO, enquanto Stephen Blyth foi escolhido para CFO. As nomeações permanecem condicionadas à aprovação das autoridades e à conclusão da transação.

A autorização da Comissão Europeia continua a ser uma das principais condições para o fecho da operação, juntamente com outras aprovações regulatórias. O processo europeu de concentração está registado como M.12270 – UPM-KYMMENE / SAPPI / JV e permanece oficialmente em Fase II.

Sappi e UPM continuam a apontar para uma decisão da Comissão Europeia até ao final de 2026 ou pouco depois. A existência da “Letter of Facts” não corresponde, por si só, a uma decisão de bloquear a operação, mas confirma que as preocupações concorrenciais identificadas por Bruxelas permanecem por resolver e que a aprovação poderá depender das medidas que as empresas venham agora a propor.