A WWF Portugal mobilizou cerca de 482 mil euros no primeiro ano da iniciativa D-EVOLUÇÃO, destinada à recuperação de ecossistemas no Parque Nacional da Peneda-Gerês, na Serra do Caldeirão e no Estuário do Tejo. O programa, lançado em 2025, prevê intervenções até 2030 e necessita de um financiamento global de aproximadamente 1,25 milhões de euros.
No Parque Nacional da Peneda-Gerês, os trabalhos já abrangeram 46 hectares de floresta e habitats afetados por incêndios. Foram plantadas mais de 1700 árvores e arbustos autóctones, incluindo carvalhos, bétulas e azevinhos. As intervenções incluem também a gestão seletiva da vegetação e o apoio à regeneração natural, procurando melhorar as condições de habitat de espécies como o corço e o lobo-ibérico.
Na Serra do Caldeirão, os trabalhos deverão começar nas próximas semanas e abranger 46,7 hectares, dos quais 19 já têm financiamento assegurado. O projeto prevê a remoção de espécies invasoras, a recuperação de linhas de água, a sementeira de 10 hectares de pastagens biodiversas e a plantação de mais de 3100 árvores e arbustos nativos.
Já no Estuário do Tejo, junto à Trafaria, a WWF Portugal e a associação MARDIVE instalaram nove abrigos subaquáticos construídos a partir de carrinhos de compras em fim de vida, após remoção dos componentes potencialmente perigosos. As estruturas destinam-se a proporcionar refúgio a duas espécies de cavalos-marinhos, numa intervenção com impacto estimado numa área de 16 hectares.
A organização sublinha também a dimensão económica do restauro ecológico. Citando dados da Comissão Europeia, refere que cada euro investido na recuperação da natureza pode gerar um retorno estimado entre oito e 38 euros.
“Não estamos a falar apenas de proteger espécies ou recuperar habitats. Estamos a falar de devolver equilíbrio aos sistemas que nos garantem água, alimentos, segurança, saúde e qualidade de vida”, afirma Ângela Morgado, diretora-executiva da WWF Portugal.
Apesar do financiamento já mobilizado, a organização considera necessário reforçar o investimento público e privado para concretizar as intervenções previstas até 2030. Defende ainda que o Estado assuma um papel central neste processo, através de um Plano Nacional de Restauro com financiamento adequado.