A Comissão Europeia decidiu avançar para uma investigação aprofundada à proposta de criação de uma joint venture entre a UPM e a Sappi, ao abrigo do Regulamento das Concentrações da União Europeia.

Em causa estão possíveis impactos negativos na concorrência em vários segmentos do mercado de papel no Espaço Económico Europeu (EEE).

Segundo Bruxelas, a operação poderá reduzir a concorrência na produção e fornecimento de papéis, usados em impressão comercial, e de papéis especiais, usados em aplicações como etiquetas e materiais autoadesivos. O receio é que a concentração leve a preços mais elevados, menor diversidade de oferta e possível degradação da qualidade.

A joint venture proposta juntaria os negócios de papel de comunicação da UPM na Europa e nos Estados Unidos com as operações da Sappi na Europa, incluindo parte do portefólio de papéis especiais, bem como atividades de suporte como produção de pasta e energia. A concretizar-se, poderá dar origem ao maior operador do setor no EEE.

A análise preliminar da Comissão Europeia aponta riscos concretos em vários segmentos. Nos papéis para revistas (CM) e fine paper (WFC), a UPM e Sappi são dois dos principais fornecedores nestes mercados e concorrentes diretos. A nova entidade poderá concentrar uma parte significativa da capacidade produtiva no EEE, reduzindo a pressão competitiva.

No que concerne aos papéis especiais, há preocupações específicas nos mercados de materiais base para etiquetas autoadesivas (C1S) e etiquetas sensíveis à pressão (PSL), devido a potenciais efeitos verticais e de coordenação entre empresas.

Bruxelas considera que os concorrentes poderão não ter capacidade ou incentivo para compensar eventuais aumentos de preços por parte da nova entidade, o que poderia traduzir-se em menor oferta e condições menos favoráveis para clientes como gráficas e editoras.

Além disso, a Comissão irá avaliar se, após a operação, as empresas poderão alinhar estratégias no mercado de materiais C1S, onde continuariam a competir diretamente, e se a joint venture poderia limitar o acesso de concorrentes a matérias-primas essenciais no mercado de PSL.

A Comissão dispõe agora de 90 dias úteis, até 26 de outubro de 2026, para tomar uma decisão final. Durante este período, será aprofundada a análise dos impactos concorrenciais, bem como dos potenciais benefícios apresentados pelas empresas, nomeadamente em termos de eficiência de custos, ganhos ambientais e reforço da resiliência da indústria europeia do papel. A abertura desta investigação não antecipa o resultado do processo.

A UPM, com sede na Finlândia, atua globalmente no desenvolvimento e produção de soluções baseadas em biomateriais, incluindo papel, pasta, energia e bioprodutos. Já a Sappi, sediada na África do Sul, é especializada em materiais derivados de fibra de madeira, fornecendo tanto matérias-primas como produtos finais, incluindo papéis de comunicação e especiais.