A Renova está a reforçar a capacidade industrial da fábrica da Zibreira, em Torres Novas, através de investimentos em descarbonização, eficiência energética, automação e logística.

A nova central de biomassa e a construção de um armazém automatizado integram um ciclo de investimento de cerca de 152 milhões de euros realizado pela empresa nos últimos anos.

O projeto Descarbonizar@Renova, recentemente inaugurado, pretende reduzir a dependência do gás natural e melhorar a eficiência energética da produção de papel tissue. A iniciativa inclui uma central de biomassa, sistemas de recuperação de calor e outras medidas destinadas a reduzir o consumo energético e as emissões associadas à atividade industrial.

Uma das componentes deste investimento é o novo armazém automatizado, desenvolvido para responder ao aumento da complexidade logística da operação. A Renova trabalha com diferentes mercados e múltiplas referências de produto, o que exige maior capacidade de coordenação entre produção, armazenagem e expedição.

A automatização deverá melhorar a gestão dos stocks, reduzir movimentos internos desnecessários, aumentar a segurança operacional e diminuir os tempos de resposta. A infraestrutura deverá ainda permitir uma ligação mais integrada entre as áreas de produção, transformação, armazenamento e expedição, apoiando o planeamento industrial e a atividade exportadora.

A produção de vapor é uma etapa essencial no fabrico de papel tissue, uma vez que fornece a energia térmica necessária para secar a folha durante o processo de formação do papel. A energia era anteriormente produzida através de caldeiras alimentadas a gás natural, mas, com a entrada em funcionamento da nova central, a biomassa passa a assumir um papel central no fornecimento de energia térmica à fábrica. A empresa estima que o projeto permitirá reduzir para cerca de metade o consumo de gás natural.

A central recebe diariamente aproximadamente 90 toneladas de estilha, utilizadas para alimentar a câmara de combustão. O processo permite produzir cerca de 18 toneladas de vapor por hora, a uma pressão próxima dos 20 bar, posteriormente ajustada às necessidades das máquinas de papel.

A instalação integra também sistemas de recuperação de calor, secagem de lamas e controlo das emissões gasosas. Entre as intervenções realizadas encontra-se a eletrificação parcial da secagem do papel, através da instalação de uma nova cobertura elétrica, ou hood, na Máquina 6.

A Renova está igualmente a recuperar energia térmica proveniente das chaminés das máquinas de papel, que passa a ser reutilizada em diferentes fases do processo produtivo.

O fabrico de papel tissue exige um controlo contínuo da fibra, da água, da energia, da qualidade e dos desperdícios. A Renova tem procurado atuar nestas áreas através da modernização das unidades industriais, da otimização do consumo de água e energia e da incorporação de matérias-primas alternativas. A empresa utiliza fibras recicladas e tem explorado a aplicação de outras fibras, incluindo o cânhamo, no desenvolvimento de alguns produtos. Em paralelo, está a reforçar a digitalização e a utilização de sistemas de inteligência artificial para otimizar processos, apoiar o controlo de qualidade e melhorar a eficiência operacional.