A Ence encerrou 2025 com perdas de €55 milhões, num ano marcado pela forte queda dos preços da celulose, que atingiram uma média de 1.086 dólares/tonelada.

No entanto, a empresa entra em 2026 com uma perspetiva significativamente mais favorável: os preços já subiram para 1.250 dólares/tonelada, e os principais produtores anunciaram aumentos para 1.330 dólares/tonelada, sinalizando um ciclo ascendente no mercado.

Apesar do contexto adverso, a Ence conseguiu reduzir o seu cash cost para €483/ton, o valor mais baixo desde 2022. A empresa tem ainda em marcha iniciativas que deverão permitir uma redução adicional de €30/ton entre 2026 e 2027, através do Plano de Eficiência e Competitividade e do plano de redução de custos e descarbonização na biofábrica de Navia.

A empresa concluiu também acordos no âmbito dos processos de despedimento coletivo, que resultarão numa redução de 15% da força de trabalho dedicada à produção de pasta.

A Ence está a acelerar a sua transformação para produtora de pastas especiais, um segmento de maior valor acrescentado e que compete diretamente com fibras longas de custo superior. No final de 2025, estas pastas representavam 30% das vendas, mais sete pontos percentuais do que em 2024, com uma margem adicional de €37/ton face à fibra standard. O objetivo é que este segmento ultrapasse 62% das vendas até 2028.

Um marco decisivo foi o arranque, no quarto trimestre de 2025, da primeira linha europeia de pasta fluff de eucalipto, instalada na biofábrica de Navia, com capacidade anual de 125.000 toneladas. Este produto, atualmente em fase de qualificação junto de clientes, destina-se ao mercado europeu de produtos de higiene absorvente e permite substituir importações de fibras longas mais caras.

Resultados financeiros

A produção anual de pasta atingiu cerca de 950.000 toneladas, com as vendas a crescerem 4% no último trimestre, para quase 245.000 toneladas.

As perdas de €55 milhões incluem uma provisão de €24 milhões relacionada com os processos de reestruturação. No entanto, o negócio de geração elétrica a partir de biomassa apresentou sinais positivos: o EBITDA do segundo semestre foi de €20 milhões, equivalente a €40 milhões anualizados.

A dívida financeira líquida situou-se em €378 milhões, acima dos €321 milhões registados no final de 2024.